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Alguém que falará sobre literatura, linguagem, poesia, filosofia e tudo o mais que acenar para além da borda

Segunda-feira, Outubro 24, 2011

Crônicas do caderno v.



Um dia cai e quebra.















“-27/09/2011 -terça-feira - primavera - sol - aula”.


Boa noite! São 23: 15 h


Era uma manhã bonita de sol e céu claros quando uma moça de blusa listrada de azul cruzou a rua. Pessoas apressadas cortavam o espaço em todas as direções; a cidade respirava o clamor de mais um dia. Ela não estava atrasada, pelo contrário, era ela quem havia chegado cedo. Era ela quem esperava - e quem espera nunca se atrasa. Alguém pede passagem, alguém diz alguma coisa (qualquer coisa), ela levanta a cabeça, responde, é gentil. E espera. Alguém virá buscá-la para mais um dia de aula no prédio neoclássico da Urca. No entanto, não era por essa pessoa que o ser afogueado de blusa azul listrada esperava - era por uma frase no visor de um celular. Coisa mais mundana impossível. E a frase veio muito tempo depois: o caderno verde já é um bem do passado. - ela constatou, e imediatamente ajustou o tempo do verbo para o que de fato era: era, fora, não é mais. Olha então agora pela janela: há um horto lá fora. Há o Pão de Açúcar, palco do passeio da véspera. Há a aula, a amiga de anos, o professor que a admira de longe; há demais seres e cadeiras. Há o teto também. O ventilador desligado, balouçante. Há o charme da cena matinal de uma sala de aula perto de praia. Há o tempo pairando sobre a folha branca do papel. As faces sonolentas, sobranceiras, blasé, e algumas, desesperadas. Há a noção do que seja o desespero surdo, encerrado nos olhos sonolentos no fundo de uma sala de aula. Há esse testemunho. Há a Idade Média - o Renascimento da Cultura italiana; há Nietzsche, as lembranças de sua adolescência, as incontáveis vezes em que fora lido e relido, assim como revisitado fora o passado dessa mesma adolescência. Sim, há o passado repousado sobre todas as coisas: os braços das carteiras, o giz, o professor, os olhos desesperados, o chão, o teto, o horto. Sobre a amiga de anos, o ventilador que não gira, o prédio bucolicamente perto da praia, ela mesma. Sim, há ela mesma e o passado. Há o passado dela mesma. Há um caderno vazio sobre o seu colo, recheado de pequenas notas, breves comentários, aforismos, citações, pedaços de vida. E há, também, um outro caderno em que uma estória era contada e interrompida pelo meio, exatamente entre o que poderia ter sido e o que não foi. Exatamente no lugar do que nunca será. Então, a menina afogueada, de blusa listrada de azul continua sua espera e subitamente volta-se para si mesma. Para a constatação da individualidade arbitrária do fato histórico - tema da aula - de épocas que não se esgotam em si mesmas, como ela também não se esgotara. Como a história que não estava sendo contada não esgotaria também em si mesma; como o que poderia ter sido, o que era, fora ou viria a ser (ou não ser) também não se esgotaria. E o futuro, que era essa abstração na confluência do que havia sido, poderia ter sido, e talvez viesse a ser - inclusive sua proposição negativa, ou seja, não ser - era aquela cena, apreendida no movimento de seu olhar deslocado de si para o além, para o distante, o inapreensível que vislumbrara, erroneamente, porém imediatamente percebido, entender o que houvera, com o olhar do presente, buscando explicar esse passado com sua aura de presente (no caso, a constatação de algo interrompido), e não olhar, dentro dela mesma, o que desse passado ainda resistia, residia, aderira à ela. Até fixar o olhar na folha branca, ouvir um sussurro, o barulho do silêncio de seu próprio coração enquanto se debruçava sobre algo inapreensível, portanto instigante, incômodo, desconfortável, porém belo - pois belas são as permanentes impermanências da vida - que era o tempo, o passado o presente irredimível de tudo o que poderia ter sido, mas que tangenciado pelos limites intrínsecos de nossa natureza, permaneciam entre uma e outra realidade. Assim: em suspenso, pairando como aquela cena em que todas as possibilidades podiam ser vislumbradas. E, por isso mesmo, intocadas, aflitas, inapreensíveis. É nesse minuto, em que percebe que o deleite advém do incômodo, do desespero, que a moça frágil, afogueada, de blusa azul - que ansiava por algo - se coloca diante de si, com a humildade de quem procura resgatar do que houvera o que ainda há. É nesse minuto, nesse minuto único de compreensão dos fenômenos humanos, em que ela respira fundo, e o ar lhe falta. [...] As possibilidades de escolha, do futuro se fazer são o que tornam o tempo possível e a História fundamental. E as possibilidades podem muito bem ser a essência daquilo que parece nos mover a todos: a falta, o incômodo, a incerteza. E a gênese disso, tão complexa, resistiu à simplicidade de uma frase. Um caderno com muitas folhas em branco, e uma estória, que não estava sendo contada. [...] ... Agora: 00h27min de 28/09/2011 cumprirei a função de membro do PWRB, já que a do PWWB eu terminara. (quebra de página, início do registro do dia posterior)"

Trecho do Caderno de capa vermelha - toda a pontuação esdrúxula foi respeitada. Só não consegui reproduzir as rasuras, as manchas de tinta e a letra levemente tremida, porém retilínea - pouco anterior ao registro do 28/09/2011... Que, aliás, pensando bem, está lindo.



p.s: PWRB é a sigla para people who read in bed
PWWB é people who write in bed



Quinta-feira, Outubro 20, 2011

Silent Lucidity

Essa música agora faz sentido para mim.

Silent Lucidity


Queensryche

Hush now, don't you cry

Wipe away the teardrop from your eye

You're lying safe in bed

It was all a bad dream

Spinning in your head

Your mind tricked you to feel the pain

Of someone close to you leaving the game of life

So here it is, another chance

Wide awake you face the day

Your dream is over... or has it just begun?



There's a place I like to hide

A doorway that I run through in the night

Relax child, you were there

But only didn't realize it and you were scared

It's a place where you will learn

To face your fears, retrace the years

And ride the whims of your mind

Commanding in another world

Suddenly you hear and see

This magic new dimension



I will be watching over you

I am gonna help you see it through

I will protect you in the night

I am smiling next to you, in Silent Lucidity





[Visualize your dream]

[Record it in the present tense]

[Put it into a permanent form]

[If you persist in your efforts]

[You can achieve dream control]

[Dream control]

[How's that then, better?]

[Hug me]



If you open your mind for me

You won't rely on open eyes to see

The walls you built within

Come tumbling down, and a new world will begin

Living twice at once you learn

You're safe from the pain in the dream domain

A soul set free to fly

A round trip journey in your head

Master of illusion, can you realize

Your dream's alive, you can be the guide but...



I will be watching over you

I am gonna help to see it through

I will protect you in the night

I am smiling next to you....

Quinta-feira, Outubro 13, 2011

SOS DOAÇÃO DE SANGUE

HOUVE UM ACIDENTE DE GRANDES PROPORÇÕES NO CENTRO DO RIO DE JANEIRO. PEDE-SE QUE SE DOE SANGUE. QUALQUER TIPO.

PROCURAR O HEMORIO: RUA FREI CANECA N° 8

NÃO É NECESSÁRIO ESTAR EM JEJUM.

VAMOS LÁ, PESSOAL!