Ontem eu daria a minha vida por um telefonema.
Um telefonema apenas.
De alguém que não me ligasse para pedir alguma coisa que a minha intectualidade pudesse oferecer.
(E alguns diriam ainda que a culpa é minha por ter cultura e inteligência, dois atributos raros na juventude. Como se solidão fosse um castigo por saber pensar e eu deixasse de ser uma pessoa para ser um cérebro, uma enciclopédia na estante.)
Um telefonema somente. De alguém que perguntasse como vai, tudo bem? E sobretudo, ouvisse. Ouvisse e ficasse em silêncio.
Apenas ouvisse, sem julgar, sem ter pressa, sem interesse por nada, somente em ouvir.
Mas acho que é pedir demais. No fim, o mundo acaba precisando do meu pseudo brilhantismo, que é a única coisa que as pessoas enxergam mesmo (e gostam, ao que parece, de dispor). E eu reencontro meu lugar entre as cinzas, a escuridão e o silêncio, aguardando a próxima solicitação.
Não falei? O tel acabou de tocar. Adivinha para quê? Análise de eleições americanas...(eu mereço!) E o interlecutor nem percebera que não me dera bom dia. Enfim, farei meu trabalho mecanicamente, cumprindo uma obrigação como outra qualquer. E registro no meu caderninho de indignações o fato de as pessoas aviltarem a si mesmas. Principlamente pelo fato de não reconhecerem seus próprios valores e utilizarem-se dos valores alheios (simplesmente porque pensar dá trabalho!) sem a menor cerimônia e pudor. É ou não é testemunho da própria incompetência, já que admiração pelos meus dotes, conseguidos a duras penas por sinal, é que não é.
E tem sido assim há quase dez anos.
Solidão.
E afinal, por que perco meu tempo escrevendo isso?
v.
Um telefonema apenas.
De alguém que não me ligasse para pedir alguma coisa que a minha intectualidade pudesse oferecer.
(E alguns diriam ainda que a culpa é minha por ter cultura e inteligência, dois atributos raros na juventude. Como se solidão fosse um castigo por saber pensar e eu deixasse de ser uma pessoa para ser um cérebro, uma enciclopédia na estante.)
Um telefonema somente. De alguém que perguntasse como vai, tudo bem? E sobretudo, ouvisse. Ouvisse e ficasse em silêncio.
Apenas ouvisse, sem julgar, sem ter pressa, sem interesse por nada, somente em ouvir.
Mas acho que é pedir demais. No fim, o mundo acaba precisando do meu pseudo brilhantismo, que é a única coisa que as pessoas enxergam mesmo (e gostam, ao que parece, de dispor). E eu reencontro meu lugar entre as cinzas, a escuridão e o silêncio, aguardando a próxima solicitação.
Não falei? O tel acabou de tocar. Adivinha para quê? Análise de eleições americanas...(eu mereço!) E o interlecutor nem percebera que não me dera bom dia. Enfim, farei meu trabalho mecanicamente, cumprindo uma obrigação como outra qualquer. E registro no meu caderninho de indignações o fato de as pessoas aviltarem a si mesmas. Principlamente pelo fato de não reconhecerem seus próprios valores e utilizarem-se dos valores alheios (simplesmente porque pensar dá trabalho!) sem a menor cerimônia e pudor. É ou não é testemunho da própria incompetência, já que admiração pelos meus dotes, conseguidos a duras penas por sinal, é que não é.
E tem sido assim há quase dez anos.
Solidão.
E afinal, por que perco meu tempo escrevendo isso?
v.

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